<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-17025849</id><updated>2011-11-13T17:34:14.015-04:00</updated><title type='text'>A VIDA SEM CHAPINHA</title><subtitle type='html'>A vida sem chapinha é assim mesmo; despida de fantasias e com recheio extra de angústias. É a vida como ela é: o nosso humor de manhã cedo - que nunca é dos melhores -, os quilinhos a mais, o telefone que não toca, o cabelo no seu pior estado. A vida, afinal, não acorda pronta pra festa.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://avidasemchapinha.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17025849/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://avidasemchapinha.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Mari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17384126605540649200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>15</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17025849.post-954740231045579509</id><published>2008-11-24T12:31:00.000-04:00</published><updated>2008-11-24T12:31:04.484-04:00</updated><title type='text'>Tricô da Mifá: Vestidinhos</title><content type='html'>&lt;a href="http://tricotdamifa.blogspot.com/2007/01/vestidinhos_08.html"&gt;Tricô da Mifá: Vestidinhos&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17025849-954740231045579509?l=avidasemchapinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://tricotdamifa.blogspot.com/2007/01/vestidinhos_08.html' title='Tricô da Mifá: Vestidinhos'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://avidasemchapinha.blogspot.com/feeds/954740231045579509/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17025849&amp;postID=954740231045579509' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17025849/posts/default/954740231045579509'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17025849/posts/default/954740231045579509'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://avidasemchapinha.blogspot.com/2008/11/tric-da-mif-vestidinhos.html' title='Tricô da Mifá: Vestidinhos'/><author><name>Isa TKM</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_w5in_mdq6Mk/Se-Fbia5ZTI/AAAAAAAAAnw/0dIFUyW-OHM/S220/mariagabriela20072028bg9.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17025849.post-688547174066451471</id><published>2007-05-06T21:09:00.000-04:00</published><updated>2007-05-28T12:46:08.365-04:00</updated><title type='text'>Erro de cálculo</title><content type='html'>Aquela Quinta-feira Santa escaldante só podia ser vista através da veneziana empoeirada do escritório que por sorte era encerrado de um ar-condicionado digno de pingüins felizes e robustos. Trabahlo em cima de trabalho. Almoço em frente ao computador com sanduíche do bar térreo do prédio.
&lt;br&gt;&lt;br&gt;
Sem tempo para escvar os dentes, Lúcia ainda escondia um pedaço de alface do tal sanduíche. Todos percebeiam à medida de um comentário rápido sobre o balanço da empresa de um cliente qualquer. Nenhum sinal infomando sobre o insistente pedaço colado no canino os colegas foram capazes de fazer. A sorte apontou só no final da tarde quando Iracema, da limpeza, passou para recolher o lixo, sorriu e endagou sobre a possibilidade de Lúcia estar guardando alface para o jantar. Rapidamente Lúcia agradeceu e dedilhou sobre a arcada até sentir a textura da folha sobre o dente. limpou e logo voltou o indicado à calculadora de que não tirava os olhos desde o início da manhã.
&lt;br&gt;&lt;br&gt;
Número e números. Excel e rolos de registradora. Assessoria em contabilidade. Bonito nome. Sobrava para a auxiliar de escritório técnica em contabilidade.
&lt;br&gt;&lt;br&gt;
Até que viu a chegada de um bombom à sua mesa. Grampeado a uma mensagem religiosa e um pequeno bilhete e "Feliz Páscoa a todos da TDS Contabilidade". Lembrou: Páscoa!
&lt;br&gt;&lt;br&gt;
Era preciso presentear o marido. O único parente mais próximo. Casal sem filhos que já morava na cidade grande há mais de 18 anos. Enviar uma mensagem seria a forma mais discreta de se comunicar, além de não apresentar além de não apresentar esquecimento diante dos colegas.
&lt;br&gt;&lt;br&gt;
"Saio às 19h. O q quer de Páscoa?" - Mensagem enviada.
Guardou o celular na bolsa e retornou ao computador e à registradora. Não poderia parar sequisesse realmente ver a rua à 19h. Receita, dívida, saldo, faturamento, soma, subtrai, acrescenta..." meia hora depois e o barulho de mensagem chegando. Ignorou pois precisave terminar decompletar o raciocínio. Foram ainda dez minutos até abrir a bolsa e desproteger as teclas.
&lt;br&gt;&lt;br&gt;
"Tu vestida de coelhinha." Leu a primeira, a segunda, a décima vez e assim o tom vermelho ocupava o rosto. Foi como se todos tivessem ouvido a curta mensagem de caracteres quase que abreviados.
&lt;br&gt;&lt;br&gt;
E dessa vez, o vermelho provocou a atenção dos cooperativos colegas. Algum mais curioso resolveu perguntar: "O que se passa com a tal mensagem?". Após um silêncio menos insistente, Lúcia negou com a cabeça "mensagem da empresa telefônica".
&lt;br&gt;&lt;br&gt;
Agora os números se misturavam às interrogações. Não era nem um pouco normal. Conheciam-se há tanto tempo. Sexo bem mais ou menos. Nada de invenções e fantasias acolhedoras. No máximo um filme pornô vez por mês. João comia e dormia. Expediente incluia livro ponto com páginas em branco.
&lt;br&gt;&lt;br&gt;
Só faltava essa. Nunca havia se imaginado numa roupa de plumas e de orelhas rosadas. O marido pedia. O amor. O chefe pedia mais cálculos. Lúcia não dividia os pesamentos. Abstraía, errava. Corrigia. Constrangia. Cobrava-se: o amor, o chefe.
&lt;br&gt;&lt;br&gt;
Não conseguiu terminar todos os balanços até 19h. Prometeu chegar mais cedo segunda e acabar até 12h. Precisava sair.
&lt;br&gt;&lt;br&gt;
Chegou ao térreo. Loja de doces ou lingeries? Talvez João merecesse o agrado. Lúcia se sentia culpada por trabalhar demais, chegar tarde, João fazer janta, comer mal, etc. E talvez aquilo fosse um reaquecimento simbólico que João estivesse propondo. Por que não?
&lt;br&gt;&lt;br&gt;
Foi. Mais vermelhidão ao perguntar Ao experimentar. A vendedora mas acostumada aos instintos bizarros das clientes gritava ao estoque no andar de cima para que descesse o tamanho 46 da "coelhinha playboy". Lúcia experimentou, se odiou, a vendadora, igualmente, mas disse "lindo".
&lt;br&gt;&lt;br&gt;
Lúcia saiu da loja estranhamente contente.
Ônibus lotado. Ovos de Páscoa ensacados, além de laguns ursos, pessoas em pé e poucos assentos até chegar em casa. E até chegar em casa, com dua sacola da Ponto G observada por todos com nenhum descrição... Já era tarde. Normal, afinal, chegar tarde era o comum.
&lt;br&gt;&lt;br&gt;
O marido ficaria feliz com o presente. Algo diferente. Subindo as escadas do seu prédio e convencendo-se sobre o assunto, tentava apagar os números anotados em sua mão, normal de quem faz cálculos o dia todo, talvez.
&lt;br&gt;&lt;br&gt;
Queria tomar um banho, comer algo e vestir a tal roupa. O cansaço pedia uma massagem nunca feita, pediria hoje a ele.
&lt;br&gt;&lt;br&gt;
Finalmente abriu a porta do apartamento. A colega de trabalho havia sido mais competente. Roupa de coelhinha no chão, o marido e ela em ação no sofá. Mensagens para a pessoa errada acontecem, João.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17025849-688547174066451471?l=avidasemchapinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://avidasemchapinha.blogspot.com/feeds/688547174066451471/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17025849&amp;postID=688547174066451471' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17025849/posts/default/688547174066451471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17025849/posts/default/688547174066451471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://avidasemchapinha.blogspot.com/2007/05/aquela-quinta-feira-santa-escaldante-s.html' title='Erro de cálculo'/><author><name>Isa TKM</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_w5in_mdq6Mk/Se-Fbia5ZTI/AAAAAAAAAnw/0dIFUyW-OHM/S220/mariagabriela20072028bg9.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17025849.post-114868788070709542</id><published>2006-05-26T19:46:00.000-04:00</published><updated>2006-05-26T19:58:00.720-04:00</updated><title type='text'>Vidas</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;Um dia eu acordei – digo acordar, pois agia como se estivesse dormindo – e percebi que tinham roubado minha vida. Assim: sem mais nem menos. Pensei até em dar queixa na polícia, mas ela não iria trazê-la de volta.&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;
           
&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;Lembrei de várias coisas que tinha feito com minha vida, ou melhor, que ela tinha feito comigo, pois eu deixava que ela tomasse sozinha todas as decisões. Confesso, nosso relacionamento era pura submissão de minha parte. Mas eu gostava. &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;

&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;            E, depois que a roubaram, eu fui só vivendo – se é que algo sem vida pode “ir vivendo”. Acabei apenas existindo mesmo, eu acho. Uma existência mecânica, robótica, como os seres sem vida têm. Peguei uma ou outra vida emprestada, mas nunca era a minha. Eram vidas tão maiores e, por isso mesmo, tão menores. Tinham lá sua beleza, admito, mas eu logo enjoava delas. Eram apenas paixões passageiras, até que eu achasse uma outra vida para tomar conta de meus dias. &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;

&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;           Sempre que pegava uma nova vida emprestada, eu tinha a certeza de que, aquela sim, era a minha verdadeira vida, e que até aquele momento eu estava enganado, vivendo uma vida que não era minha. Mas a certeza durava meses, e logo eu percebia que a minha vida não voltaria mais.&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;
      
&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;     Numa dessas vidinhas passageiras que tomei emprestada, afoguei-me no trabalho, inundando todos os meus minúsculos poros com problemas longínquos. E foi assim que acabei parando em Nova Iorque – não há melhor lugar para um economista, devo dizer. Enfim, foram meses longe de meu apartamento, de minha mulher, de meu filho.&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;
           
&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;Mas, um dia, mandaram que eu voltasse ao Brasil. Mandaram que eu voltasse para tudo aquilo que eu tanto amava. Confesso que uma felicidade vesga tomou conta de mim naquele momento, e, no auge de seu estrabismo, a felicidade levou um copo de cerveja à minha boca para comemorar. Um não, vários. Eu havia parado de beber há três anos. Beber não me fazia esquecer, e sim lembrar. &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;
            &lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;E foi então, em meio àqueles goles de cerveja, em alguma daquelas gotinhas douradas, que percebi tudo: minha vida não estava me acompanhando há algum tempo. E lembrei-me de tudo: de minha mulher, do aborto, da raiva que senti. Eu, que sempre sonhara em ser pai, fui privado disso. Foram tantas as lembranças dispersas nas garrafas vazias que tive medo e desejei nunca ter lembrado. Nunca precisaria de minha vida de volta se não soubesse que a vida que vivo não era a minha. &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;E, receoso, embarquei no avião rumo ao Brasil. Rumo às lembranças fétidas que lá estavam. Rumo a minha vida putrefata que estava a me esperar no apartamento meticulosamente decorado. Eu tinha que voltar, ver tudo para conseguir acreditar na memória trazida pelo álcool. Ter certeza de que tudo não passara de uma mera alucinação. &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ao entrar em meu apartamento, o ar nostálgico, os mesmos móveis e a meia-luz habitual só mostravam-me uma coisa, como que todos apontassem para o sofá: ainda estava lá o cadáver, sentado a me olhar, exalando o fedor dos anos que estivera ali, esperando que eu lhe cumprimentasse, como tantas vezes o fiz. Logo, meus olhos procuraram a criança – coisas de pai – e fixei-me no feto em cima da mesa, ansioso para que, novamente, eu lhe contasse uma história para dormir. &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;E foi assim que, já chorando, dirigi-me à cozinha, o olhar vasculhando todas as frestas, a fim de encontrar o que eu preferia não ter visto: ainda estava suja a faca – o sangue seco a denunciar os anos de esquecimento – com que eu tirara a vida de minha esposa, no mesmo golpe em que minha vida fora roubada.&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17025849-114868788070709542?l=avidasemchapinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://avidasemchapinha.blogspot.com/feeds/114868788070709542/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17025849&amp;postID=114868788070709542' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17025849/posts/default/114868788070709542'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17025849/posts/default/114868788070709542'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://avidasemchapinha.blogspot.com/2006/05/vidas.html' title='Vidas'/><author><name>Mari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17384126605540649200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17025849.post-114278494345060314</id><published>2006-03-19T12:10:00.000-04:00</published><updated>2006-03-19T12:15:43.463-04:00</updated><title type='text'>EM UM CANECO DE ABSINTO</title><content type='html'>- Um caneco de absinto – ele pediu.

           
&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;Essa era a única coisa da qual tinha orgulho: podia pagar um caneco de absinto a hora que lhe desse vontade. Um só não, quantos agüentasse. E o garçom, que já se havia habituado a não lhe servir mais doses e sim canecos, trouxe-lhe a bebida rapidamente, sabendo que a gorjeta seria generosa, como sempre.&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;
            &lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;Lembrou-se da época em que, ao invés de beber canecos de absinto, seu passatempo eram as garrafas de cachaça, principal responsável pela cirrose que agora lhe matava aos poucos. Mas na época das cachaças ele considerava-se um homem de sorte, apesar da falta de dinheiro que por vezes lhe obrigava a passar fome. Naquela época sim, tinha muitas coisas das quais se orgulhar: tinha Ana e seus lábios, seus olhos, pernas e braços. Simplesmente tinha Ana e nada mais ele queria ter. Talvez quisesse ter um filho de Ana também. E lembrando de Ana deu uma golada na qual se foi meio caneco goela adentro.&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;
            &lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;Agora quem o olhava ali, um bêbado que não perdia a pose, um ricaço medíocre, como ele mesmo se julgava, seus carros importados, sua rede de cinemas e suas casas espalhadas mundo afora, quem lhe olhasse agora sim, diria que ele tem sorte. “Sorte porra nenhuma!”, gritava surdo para si mesmo, sem nenhum vestígio de que suas feições se pudessem alterar pelo simples fato de se saber rico em dinheiro e pobre de espírito. E outro gole se fez necessário, pois sua garganta sempre secava enquanto ele pensava na vida.&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;
            &lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;Bom mesmo era a cachaça que o deixava dormir em frente a sua casa, mesmo sem saber como teria ido parar lá, acordando sempre com as mãos de Ana, aqueles cabelos, aquele sorriso e a voz que só ela tinha. Não tinha só Ana e a cachaça naquele tempo, tinha amigos, família, tempo e bom humor. Dinheiro não tinha, mas se virava como sempre. Mais uma golada, pelo passado perdido. &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;
            &lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;Lembrou-se do dia em que achou o maldito bilhete de loteria. Do sermão que Ana lhe deu por pegar algo que não era dele, mesmo sabendo que apenas um imbecil jogaria fora um bilhete premiado. Lembrou-se dos amigos lhe pedindo empréstimos, da família roubando-lhe um pouquinho a cada dia, da cocaína que o dinheiro lhe ensinou a cheirar e do dia que mandou todo mundo à merda para vir morar nos “estaites”. E sorveu mais um pouco da bebida que tinha a cor dos dólares que lotavam seu bolso. &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;
            &lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;E, percebendo que o caneco estava no fim, lembrou-se do fim que sua família teve. Lembrou-se do seqüestro que ele acreditava ser forjado, das vezes que ignorou os pedidos de resgate, das ligações que Ana fazia chorando madrugada sim, madrugada não. E aí sim é que ficava mais decidido a não pagar o resgate: sabia que Ana estava agora atrás do seu dinheiro, da mesma forma que um dia ele esteve atrás do carinho dela. E se ela nunca parasse de ligar, poderia ser feliz para sempre: não precisava tocá-la, se apenas a soubesse sua. Deliciou-se com apenas mais algumas gotas do absinto, deixando que ainda restasse um pouco.&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;
            &lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;E lembrou-se do pouco que tinha depois que as ligações pararam, depois que as fotos com os cadáveres dos parentes lhe foram enviadas, com Ana no meio dos seus pais. Ana com seus treze aninhos, suas pernas finas, seu choro que nunca mais ia voltar e suas orelhas cortadas. Orelhas que, por sinal, foram enviadas junto com as fotos. E daí quem chorou foi ele, sabendo que nunca mais teria sua irmãzinha, sabendo que só o que lhe restava eram os milhões que tinha, umas orelhas e o absinto. Para piorar, o absinto, sua última paixão, lhe matava agora, como Ana já tinha feito com uma parte do que ele tivera. Tudo se passou em menos de seis meses, mas parecia muito mais tempo, considerando a proximidade com que via sua morte. Teria ele muito mais do que seis meses ainda? E sorveu desiludido o que ainda restava de líquido no caneco. &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;
            Sim, sortudo, diriam alguns. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17025849-114278494345060314?l=avidasemchapinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://avidasemchapinha.blogspot.com/feeds/114278494345060314/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17025849&amp;postID=114278494345060314' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17025849/posts/default/114278494345060314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17025849/posts/default/114278494345060314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://avidasemchapinha.blogspot.com/2006/03/em-um-caneco-de-absinto.html' title='EM UM CANECO DE ABSINTO'/><author><name>Mari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17384126605540649200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17025849.post-114064705689704828</id><published>2006-02-22T18:19:00.000-04:00</published><updated>2006-02-22T18:24:16.916-04:00</updated><title type='text'>Engano</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;        &lt;blockquote&gt;        Ele me beijou com aquela vontade que só a distância sabe criar. Estávamos há seis meses separados por mais ou menos 800Km. Mantínhamos contato diário, que é pra isso que a internet existe. E a internet parecia ter sido criada pensando em nós, pensando que um dia, algum casal de jovens se separaria por um  acaso daqueles que só o destino sabe criar. &lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
                &lt;blockquote&gt;Mas então voltei a nossa cidade, ao lugar onde nos conhecemos, que era verão e eu estava de férias da faculdade. Que era verão, e há muito que éramos só saudade. Que era a sua boca que eu queria. Seus braços, olhos, suor. Que ao vivo era muito melhor do que palavras na tela.&lt;/blockquote&gt;
                &lt;blockquote&gt;Agora ali, naquele banco branco, naquele dia meio samba, meio nada, sob a chuva fina, nossas mãos entrelaçavam-se como crianças em início de namoro. Olhávamos nos olhos, com uma serenidade inesperada. E dentro de nós – de mim, ao menos – os sentimentos rebeldes ainda teimavam em falar mesmo que não formulassem  palavras idênticas as de antes.&lt;/blockquote&gt;
                &lt;blockquote&gt;Eu sempre tomei o cuidado de não usar a palavra amor. Que amor é de verdade, e paixão é engano sempre. Então ali, com toda a revolução maluca que acontecia dentro de mim, eu vi que tinha me enganado. Que mais uma vez , como das outras – que não foram poucas –  não era real o que eu sentia, eu havia apenas fingido. Pretendia eu acreditar nas mentiras que inventava para mim. Queria aos berros, poder dizer que estava apaixonada, que era capaz de gostar de alguém mais do que gostava de mim. Isso eu sei – eu li, eu vejo na TV – é bonito.&lt;/blockquote&gt;
              &lt;blockquote&gt;  Mas eu era Narciso, incapaz de ver qualquer coisa além de mim mesma. E aqueles olhos castanho-abandono há tempos não refletiam minha imagem. Era engano tudo, como sempre. E então beijei-lhe enlouquecidamente, como quem esquece das outras pessoas que existem no mundo. Beijei-lhe por um tempo incontável, como que se quisesse sugar dele tudo o que ele pudesse me oferecer. Sua saliva, suor, sentimentos. &lt;/blockquote&gt;
                &lt;blockquote&gt;Queria eu sugá-lo inteiro. Deixá-lo sem voz, sem vida ou verdades. Tirá-lo do mundo em que existíamos, para que – em algum universo paralelo, ao qual encontraríamos por acaso dentro daquele beijo frenético – eu descobrisse que não era engano meu, que eu realmente gostava dele, e que fora verdade todas as vezes que eu disse que não precisava de mais nada para ser feliz.&lt;/blockquote&gt;
                &lt;blockquote&gt;Mas aquela boca era pura saliva e língua, como as bocas tendem a ser. Aquele corpo na minha frente, quase estático com a surpresa do beijo, não mais me provocava admiração. E, sem palavras – que não sou de falar do que sinto ou não – ele me desvendou. Ele leu em mim – me conhecia melhor que eu mesma – o dilema que eu passava.&lt;/blockquote&gt;
                &lt;blockquote&gt;E riu, rimos. Que todo engano no fundo é engano e só. Que ninguém conhecia melhor a mim do que ele, e ninguém conhecia ele melhor do que eu. E o sol se punha a nossa frente, que mesmo com chuva havia sol. E rimos mais, de sempre estarmos enganados. Rimos da liberdade que a falta de sentimentos nos provia. &lt;/blockquote&gt;
                &lt;blockquote&gt;E, abraçamos nossos corpos que eram só corpos, e nossas bocas que eram só bocas beijaram-se. E nosso riso que era para sempre talvez fosse engano também. O dia, finalmente, acabou em paz.&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17025849-114064705689704828?l=avidasemchapinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://avidasemchapinha.blogspot.com/feeds/114064705689704828/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17025849&amp;postID=114064705689704828' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17025849/posts/default/114064705689704828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17025849/posts/default/114064705689704828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://avidasemchapinha.blogspot.com/2006/02/engano.html' title='Engano'/><author><name>Mari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17384126605540649200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17025849.post-113822825691461723</id><published>2006-01-25T17:48:00.000-04:00</published><updated>2006-01-25T18:32:17.690-04:00</updated><title type='text'>Arroio Dilúvio</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;Desliguei o telefone. Pela sétima vez. Em apenas 13 minutos. Chico Buarque ao fundo me dava conselhos. “Apesar de você, amanhã há de ser outro dia”. Coicidentemente, era esse o toque que eu tinha destinado a ele em meu celular. Não fumo. Acendi um cigarro. O gosto de cinzas adentrou minha boca agredindo minhas papilas gustativas. Não ligaria mais. Ao menos não antes de secar as lágrimas que encharcavam o telefone e a mesa em que este se apoiava.&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cansei de ouvir o telefone chamar até cair. Para compensar, caia bebendo. Fumava o gosto amargo-dor que os cigarros têm. Chorava um choro silencioso e agridoce. E vomitava. Vomitava diariamente. Arrancava distraidamente fios de meu cabelo, com dedos ansiosos de quem nem sabe se quer. &lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como não podia ouvir a voz que eu queria, contentava-me ouvindo a voz de Chico. Que era uma das únicas coisas que me causava ainda uma certa alegria. Saí de casa sem o intuito de chegar em lugar nenhum. Eu só queria voltar no tempo. Eu só queria ter a vida que tinha há um mês atrás. E, a esse tempo, caminho nenhum me levaria. &lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Passava por facas e objetos cortantes sentindo até um certo tesão. Um desejo pela morte que nem eu saberia explicar. Que qualquer corte, qualquer dor física, era melhor que os tormentos que me assomavam. Era como se algo me triturasse por dentro, ininterruptamente. Eu era guisado, carne de segunda. E pensava nisso, enquanto me subia a bile à boca. &lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Meu corpo esquálido, de há dias vomitar, sem vontade de comer, caminhava sem vontade pelas esquinas de Porto Alegre. As esquinas que nem eu sabia quais eram, pois não lembrava-me o caminho que tinha seguido. Devaneios filosóficos passavam pela minha cabeça despretensiosamente.&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Porque tantos planos e tão poucas coisas concretizadas?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;Qual é o medo invisível e sempre presente que toma conta de nós? &lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;
 &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Adiando a vida, mesmo sabendo impossível adiar a morte.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
&lt;blockquote&gt;Perdemos tempo com ilusões, como se a vida fosse um cromaqui barato que a gente escolhe o cenário na hora que quer.&lt;/blockquote&gt;
E o que eu fazia ali, só, praticamente metade, caminhando sem rumo?
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;Porquê? Porquê? POR QUÊ?&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Meu celular vibra, interrompendo meu drama pessoal. Uma certa alegria finge adentar meu corpo, mas percebo que era a claro digital avisando que eu deveria inserir créditos dentro de algumas horas. Mas pra quê? Se a única ligação que eu desejava fazer, nunca seria atendida? E, mesmo que fosse atendida um dia, eu tinha esse tempo para esperar? Quantos dias meus dias iam durar?&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;Passei diante de um espelho que denunciava minha figura patética. Os ossos precipitando-se quase para fora da pele. A pele amarelada, lembrando vagamente um verde-oliva, com alguns hematomas e olheiras a denunciar minha putrefação. Um tufo de cabelo faltando no meio da nuca. A sujeira evidente nos dentes. Cortes de nem sei como nos lábios. &lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;Percebi-me na Ipiranga. O Arroio Dilúvio a me fitar, lembrando os dias que eu passara sem banho. Me convidando para um mergulho sem volta. Que volta eu já nem tinha. A água agora era meu fim. A agonia do afogamento a compensar toda a dor sentida. Debati-me, como que nem quisesse morrer. E, por fim, desfaleci. &lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E, dentre dejetos e corpos, um celular assobiava Chico Buarque.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17025849-113822825691461723?l=avidasemchapinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://avidasemchapinha.blogspot.com/feeds/113822825691461723/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17025849&amp;postID=113822825691461723' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17025849/posts/default/113822825691461723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17025849/posts/default/113822825691461723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://avidasemchapinha.blogspot.com/2006/01/arroio-dilvio.html' title='Arroio Dilúvio'/><author><name>Mari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17384126605540649200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17025849.post-113511395993089978</id><published>2005-12-20T17:05:00.000-04:00</published><updated>2005-12-20T17:26:01.256-04:00</updated><title type='text'>Personagem</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;                                          Acho que foi na terceira vez que nos vimos que eu tive certeza de que um dia ele se tornaria um personagem. No meio de uma abraço sem graça, que eu nem sentia nada por ele ainda. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt; E agora eu o olhava, dormindo, à direita da cama. Eu, sentada, pernas da índio, olhando seus contornos que nem revelavam uma beleza tão extraordinária assim, bloquinho e caneta na mão. Não tinha mais volta. Desde o início deste parágrafo, ele (que nome lhe darei? Não seu nome real... perderia toda a graça...) já é um personagem. Foi meio sem querer até, peguei-me escrevendo, desenhando sua silhueta com palavras, sem sequer saber qual minha intenção.
&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;                É que agora, sendo apenas letras jogadas num papel, sua vida não lhe pertencia mais. No fundo é o que todos queremos, nos tornar personagens. Perder toda a responsabilidade por nossos atos. Queremos dizer não à banalidade, e provocar admiração nos outros. Ser personagem é adentrar num mundo sem culpas (que mesmo personagens com conflitos mentais não a tem de verdade) e repleto de emoções fortes.
                &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ele agora poderia acordar e me olhar com seus olhos sempre frios, a perguntar se o café estava pronto – &lt;em&gt;que nem café eu sabia fazer, mas ele teimava em perguntar-me&lt;/em&gt;. E, se me beijasse como príncipe que acorda a Bela Adormecida – do jeito que há tempos ele não fazia – também não faria diferença. Agora, sua vida só pertencia a mim. Só o que eu escrevesse teria sido realmente feito. E, mesmo que ele não faça nada do que eu escrever, tudo que ele fizer será invalido. Ele está agora, para sempre – ou até que eu rasgue estes escritos – preso numa pele que não é sua, e que nem pele é. 

  &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;Personagem –&lt;/em&gt; por falta de criatividade o chamo assim a partir de agora &lt;em&gt;– acorda então e, como previsto, pergunta-me sobre o café. “Não tem café”, lhe respondo. Vomita no chão.&lt;/em&gt;  &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;  &lt;em&gt;&lt;em&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;em&gt;Lembro-me que ele não queria ter dormido na minha casa, e percebo o porquê da mudança de planos. Não o devia ter feito beber tanto. É que, depois de toda a relutância que ele tinha em me ver nos últimos dias, aprendi a lançar mão de alguns planos mirabolantes, para poder ter sua companhia, mesmo que apenas por segundos.&lt;/em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/em&gt;&lt;/em&gt;E confesso, personificá-lo aqui, nestas linhas, foi só um dos macetes que usei para lhe chamar a atenção, como uma criança que chora horas a fio, para que lhe dêem  um pouco de atenção. Era eu também uma criança ao seu lado, e não digo no sentido total-clichê da palavra. Mas agora percebo que,  estando eu neste texto, também viro, imediatamente, uma personagem. Uma narradora, e personagem secundária de sua própria vida.

             
&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;“Vai embora, já?”, pergunto-lhe quase sem esperança de resposta, ao vê-lo dirigir-se para o banheiro. E de lá vem um som grotesco, indicando que ainda havia algo em seu estômago. Fecha a porta e fica lá. Personagem é dado a essas coisas. Fica quieto às vezes, sem motivo aparente. Quer distância de mim e só. Fecha-se num casulo e torna-me invisível. Emudeço.
&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;
                O que uma personagem faria agora, diante dessa indiferença que me apunhalava dia após dia? Eu, eu real, choro, como sempre choro. Um choro vindo sabe-se lá de onde, que é a tristeza que só ele sabe que eu tenho, porque só ele consegue me tornar triste. E acho que ele até gosta de me ver chorar, me beija a boca soluçante e me abraça como galinha que envolve o filhote. Mas o carinho dura só até o choro acabar, e então ele esquece, e me machuca de novo, como de costume, mas dessa vez eu tranco o choro num sorriso, e ele se finge feliz.

                               &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;Abro a porta do banheiro, e percebo que quem chora é ele. Tenho medo de perguntar o porquê. Tenho medo que ele responda que não queria estar ali e que é esse o motivo do choro. Fico parada olhando seus olhos inchados. Convicta, não iria perguntar-lhe o porquê, nem tentar acalmá-lo. Nada de beijos, abraços, carinho ou cafuné. Por mim ele choraria o tempo que quisesse, pois, enquanto estivesse chorando, ele permaneceria ali, ao meu lado.
&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;                               &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;Doentio, talvez. Mas quem não é doente hoje em dia? Quem não esquece a razão por alguém e acha bonito. E me encho de orgulho do meu sentimento corrosivo. Das humilhações às quais me submeto para tê-lo ao meu lado, mesmo sem  o ter. Orgulho-me dos rios que chorei por nada. Dos elogios irreais que lhe dediquei. Das noites de sono ou festa que perdi por ele. Do dinheiro que gastei comprando convites para as festas que ele não foi.
&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;                               &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;Lembro-me que lhe menti, e que não interessa mais. Se ele soubesse que dentro de quinze dias eu estaria morando em outra cidade, teria sido diferente? E agora nada importa. Não há mais tempo para nos vermos.&lt;/em&gt;
&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;Nos jogo na lareira,  para voltarmos a ser somente nós. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17025849-113511395993089978?l=avidasemchapinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://avidasemchapinha.blogspot.com/feeds/113511395993089978/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17025849&amp;postID=113511395993089978' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17025849/posts/default/113511395993089978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17025849/posts/default/113511395993089978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://avidasemchapinha.blogspot.com/2005/12/personagem.html' title='Personagem'/><author><name>Mari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17384126605540649200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17025849.post-113404789916595068</id><published>2005-12-08T09:13:00.000-04:00</published><updated>2005-12-08T09:28:02.193-04:00</updated><title type='text'>Devaneios sobre a Fáááábrica de Calcinha</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/195/1639/1600/panfleto.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/195/1639/320/panfleto.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;


&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O que faz uma mulher ficar para horas diante dos passos rápidos da Rua Voluntários da Pátria vestida com seu coletinho de sarja azul, um manequim vestindo um conjuntinho de calcinha e soutien barato numa mão, uma pilha de panfletos a distribuir na outra e nos lábios o mesmo movimento que se repete durante horas: Fáááábrica de calcinha!? Queria descobrir. Mas eu tenho medo de perguntar, se ela já berram nos meus ouvidos “Fáááábrica de Calcinha”, imagina o que não berrariam se se sentissem ofendas quanto a minha pergunta? Claro, na verdade a gente sabe aquele papo de sempre, do desemprego, da falta de oportunidades, ainda mais para as mulheres de meia idade, e tal. Mas o que faz com que elas procurem trabalhar para a Fábrica de Calcinha? &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O impressionante é como todas são muito parecidas...o mesmo discurso...É possível passar na frente delas, e é um exército e basta dirigir rapidamente os olhos a que te dá um panfleto, mas é uma fraçãozinha de segundo mesmo e logo vem a frase: “Quer conhecer amiga? Ah, claro Luísa, elas passam por um treinamento! Semana de aprendizado na delicada abordagem de enfiar um panfleto na cara dos pedestre...E elas ficam um pouco distante umas das outras. Parece que se não aceitar o panfleto na primeira, aceita na segunda, e assim por diante até o final da Voluntários. A jogada de marketing está na insistência. E penso ainda que a tática deles pode estar na tua distração, tu está lá andando distraída, pensando na página do trabalho de MTP que faltou ser impressa aí vem uma voz feminina no teu ouvidinho e te desperta com aquele nome grotesco que virou expressão para saber que ali por perto existem loja de lingerie. O grito é tão dissonante e bisarro que fica martelando na tua cabeça. Quase subliminar. Talvez sejam de Fábrica de Calcinha diferentes. &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;E alguém já pegou um panfleto para ler? Alguém já entrou em alguma das tais Fáááábricas da Calcinha? Bom, eu antigamente, logo no início dessas estratégias de divulgação, imaginava uma fábrica de calcinha mesmo, uma fábrica com máquinas industriais e mulheres pertencentes à divisão dos trabalhos produzindo mecanicamente calcinhas de renda, e não com costureiras e manequins espalhados, e nem está é a idéia do nome. Pelo que eu sei Fábrica de calcinhas são lojas de lingerie a preço de fábrica para as mulheres que querem virar revendedoras. Até seria interessante para ter um graninha extra nesse final de ano. Mas não, não vou passar a aceitar os panfletos. Não dá, o fato de odiar o som desse nome ainda é mais forte que a minha vontade de ganhar uma graninha, vai contra os meus princípios. &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;É tem que estar muito na merda para querer ganhar dinheiro com a Fáááábrica de Calcinha.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17025849-113404789916595068?l=avidasemchapinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://avidasemchapinha.blogspot.com/feeds/113404789916595068/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17025849&amp;postID=113404789916595068' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17025849/posts/default/113404789916595068'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17025849/posts/default/113404789916595068'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://avidasemchapinha.blogspot.com/2005/12/devaneios-sobre-fbrica-de-calcinha.html' title='Devaneios sobre a Fáááábrica de Calcinha'/><author><name>Isa TKM</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_w5in_mdq6Mk/Se-Fbia5ZTI/AAAAAAAAAnw/0dIFUyW-OHM/S220/mariagabriela20072028bg9.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17025849.post-113335128928971663</id><published>2005-11-30T07:21:00.000-04:00</published><updated>2005-11-30T07:51:09.080-04:00</updated><title type='text'>Fábula lado B</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/195/1639/1600/TOSCAN~1.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 180px; CURSOR: hand; HEIGHT: 120px" height="179" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/195/1639/320/TOSCAN%7E1.jpg" width="277" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;
&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;Era uma vez, num mato muito distante, uma aranha chamada Me Come e uma cobra francesa chamada Meti. A cobra meti malhaou o verão inteiro até ficar toda forte e nem parou para pensar no inverno que estava por vir, continuava a se exibir de Regatinha toda durinha. Enquanto isso, a aranha Me come tecia sua linda teia no propósito de prender os insetinhos que capturava para saboreá-los no tempo frio.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;O inverno trouxe o recolhimento dos animais em suas residências e com isso o sedentarismo temporário. A aranha ganhou uns quilinhos a mais, saboreando todos aqueles deliciosos insetos presos em sua teia. Já a cobra, ao se deparar com aquele robusto aracnídeo não pensou duas vezes e meteu a boca na aranha até secar.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Moral da história:&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Se sua aranha não se fudeu ainda ainda, logo virá uma cobra sedenta pra fuder com ela.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Luísa, Alexandra, Mari, Natascha...&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17025849-113335128928971663?l=avidasemchapinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://avidasemchapinha.blogspot.com/feeds/113335128928971663/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17025849&amp;postID=113335128928971663' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17025849/posts/default/113335128928971663'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17025849/posts/default/113335128928971663'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://avidasemchapinha.blogspot.com/2005/11/fbula-lado-b.html' title='Fábula lado B'/><author><name>Isa TKM</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_w5in_mdq6Mk/Se-Fbia5ZTI/AAAAAAAAAnw/0dIFUyW-OHM/S220/mariagabriela20072028bg9.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17025849.post-113106166204543616</id><published>2005-11-03T19:45:00.000-04:00</published><updated>2005-11-03T19:47:42.056-04:00</updated><title type='text'>Nariz</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;O túmulo da esposa a sua frente. As velas queimavam de uma forma que, para ele,
parecia frenética. Todos em volta choravam, enquanto sua indiferença bege
parecia contrastar com o negrume do local.&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;“Morta”, pensou, “... E o seu nariz morreu junto”. Ele não era tão indiferente
quanto parecia. Sentiria saudades daquele nariz. Era tudo o que sempre esperou
do casamento: acordar e ter um narizinho em seu pescoço.  Sem dúvida, o
gesto mais romântico que existia.
&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;Ela não ficava gripada. Não tinha rinite, nem nada. Sequer espirrava. E o toque
de seu nariz prevalecia sobre qualquer coisa.  Aquele toque era tão
bossa-nova, tão cubista, tão pós-moderno. Era arte pura e despida de palavras.
&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;Era muito mais intenso do que sexo selvagem, mais alucinante que todas as drogas
que provara na sua não distante juventude, mais romântico que serenata de amor
na janela ou café na cama.
&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;Seu nariz era maquiagem, era remédio, era natal, outono-inverno, beijo de boa
noite, sim e não, fondue de chocolate, roda-gigante, gira-gira, algodão doce,
bacanal. Seu nariz era muito mais que um nariz, era felicidade.
&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;E agora aqueles algodões nas narinas a denunciar sua morte. A lhe dizer que
nenhum nariz nunca se comparará àquele. Nenhum outro ficaria tão bonito - nem
mesmo com aqueles algodõezinhos coloridos da Johnson...
&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;Outras mulheres, talvez. Nariz, seria o último.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17025849-113106166204543616?l=avidasemchapinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://avidasemchapinha.blogspot.com/feeds/113106166204543616/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17025849&amp;postID=113106166204543616' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17025849/posts/default/113106166204543616'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17025849/posts/default/113106166204543616'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://avidasemchapinha.blogspot.com/2005/11/nariz.html' title='Nariz'/><author><name>Mari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17384126605540649200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17025849.post-112948529405358182</id><published>2005-10-16T13:43:00.000-04:00</published><updated>2005-10-16T13:54:54.063-04:00</updated><title type='text'>Ah... Eu... Te... Amo...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ele me prensou na parede de novo – que merda! Será que ele não consegue atinar que assim quebra qualquer chance de sinceridade?! “Vai diz que me ama, tu me ama?! Por que eu te amo, tu sabe”. Ah, que forçação de barra! É claro que eu sei, também tu me diz isso o tempo todo! Não estamos nem há um mês juntos e a criatura tenta de todas as formas me arrancar um EU TE AMO. Não deu tempo, não vai sair, não tem jeito. O pior é que é sempre assim; e sempre que chega nessa etapa tudo desanda. Eu fico cheia e começo a achar que já era... Sei lá, to desanimando, to broxando. Ih... Realmente, já era!
Como é que eu vou fazer agora? Vou chegar e largar: O negócio é o seguinte, não dá mais. Hmmm... Não, não vai dar certo, ele vai virar e me pedir um porquê. POR QUÊ??!! HAHA Jura que tu não sabe! Bah, não te faz! Que vontade de dizer tudo assim, ás claras. EU TE AMO não dá. Entende?!
Não ele não entende e eu sei que nem vou conseguir dizer assim. Essa é a maior merda, chega na hora e dá pena, já tô até vendo mais um fazendo cara de choro, todo desesperado tentando salvar a situação. “Como assim, vamos conversar, discutir a relação”. Eu já sei até onde esse papo vai dar e nesse caso não adianta MESMO discutir a relação. É impossível fazer entender, pra uma pessoa que solta EU TE AMO tão fácil da boca, que as coisas não são bem assim. Melhor dizendo, não são nada assim.
EU TE AMO é muita coisa pra ser tão imediato, vazio. É forte demais pra vir à tona de forma tão forçada. E toda essa fácil expressão desse sentimento tão intenso, pra mim, acaba banalizando e assassinando qualquer chance de consistência.
É por isso que EU TE AMO nunca deve ser pedido. Quando ele realmente existe tem força motora maior que qualquer máquina movida a mil cavalos de potência, resistindo a qualquer repressão possível e escapando nos momentos mais inusitados. E quando isso acontece é uma euforia total. São milhões de emoções criando coquetéis vertiginosos de sensações indescritíveis e embriagando todo um ser.
 O EU TE AMO exigido pode até soletrar semelhante, mas jamais terá a concretude do mesmo. É um Eu... Te... Amo... Sai gago, um corpo estranho e oco que caminha trêmulo para sua execução. Homônimo, mas nunca o mesmo. Ele é liso, tão desbotado quanto gasto e assustado, sem um brilho qualquer. Meus olhos fogem ao seu anuncio, se envergonham de tanta falsidade.
É Eu... Te... Amo... Som forjado que queria também poder escapar, dissipar seu efeito vibratório de maneira relutante, com a maior lentidão possível, se perdendo e calando no ar. Mas, se ainda capturado, queria ter propriedade de se transformar num ruído misto, que de tão grave e agudo só seria identificado pela incompreensibilidade de seu pesar.
EU TE AMO não quer ser dito agora, todo cru. Ele não quer ser metade ou quase. Sendo ainda, nem teu e menos meu. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;
Eu só queria que tu entendesse e tivesse dado tempo pras coisas serem.
 &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17025849-112948529405358182?l=avidasemchapinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://avidasemchapinha.blogspot.com/feeds/112948529405358182/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17025849&amp;postID=112948529405358182' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17025849/posts/default/112948529405358182'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17025849/posts/default/112948529405358182'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://avidasemchapinha.blogspot.com/2005/10/ah-eu-te-amo.html' title='Ah... Eu... Te... Amo...'/><author><name>Jade</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11249300252667876689</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17025849.post-112920474022902022</id><published>2005-10-13T08:58:00.000-04:00</published><updated>2005-10-13T07:59:00.236-04:00</updated><title type='text'>EspeCUlações Internas</title><content type='html'>Concordo com Cassirer quando disse que uma das características que nos distingue radicalmente das outras espécies de animais é a de estar em constante diálogo consigo mesmo. Mais do que isso, eu admiro a capacidade do homem de reflexão e a de encontrar complexidade nas mais simples e - em princípio - normais situações nas quais a vida o coloca. Dia desses, por exemplo, comecei a refletir sobre a semelhança entre esperar a ligação do cara depois do primeiro encontro ter uma prisão de ventre. Não me perguntem como cheguei a este pensamento, a primeira vista, desconexo. Talvez porque estivesse vivendo as duas coisas ao mesmo tempo. Bom, mas isso é assunto para uma outra história, até porque, esse deve ser um texto dissertativo e não narrativo.
            Ah, a angústia. Sim, a angústia. Ela está presente com certeza nas duas situações. É com certeza a particularidade mais marcante nas dois casos. Enquanto se espera a ligação daquele carinha, a angústia se faz presente graças a muitos fatores que foram construídos ao longo de todo o decorrer da situação. São expectativas geradas em virtude da simpatia excessiva durante o diálogo com o tal cara, os beijos e abraços que aconteceram naturalmente e se encaixaram perfeitamente. Bom, no caso da prisão de ventre, não é diferente. Angústia aqui também de deve a vários motivos e um deles também são as expectativas. Em virtude, normalmente, da comilança excessiva durante algum tempo com direito a alimentos considerados praticamente cadeados do intestino como queijos e semelhantes mas que na hora de mandar pra dentro nem se pensou em conseqüências, foi tudo tão naturalmente...delicioso.
            Outro item presente nessa angústia, no caso da espera por ver o número dele chamando no celular é justamente olhar no tal aparelho e procurar sempre estar em locais onde apareçam todos os risquinhos que representam o alcance da antena do celular além da confirmação de que o perfil não se alterou sozinho para o silencioso. E quando o olho se volta para o telefone e nada, o coração fica frouxo de decepção. Com o intestino preso, os olhos estão direcionados para a barriga e o tamanho dela que vêm aumentando diante do acumulo de comida. Escolhesse roupas mais largas, que não pressionem tanto o peso entre as costelas. E depois de várias tentativas fracassadas no banheiro, os botões da calça vão se abrindo fazendo com que fique frouxa. É uma agonia.
            Diante da espera pela ligação, pode-se pensar também tudo o que pode-se ter sido dito de errado para ele ainda não ter procurado. Pensa-se ainda o que pode ter acontecido com ele? Roubo do seu celular? Ou ele pode ter perdido o papel com o seu número!? Ou mesmo que ele esteja fazendo algo muito importante, mas tem que ser muito importante mesmo, para que ainda não tenha ligado. Algo do tipo ele estar acompanhando uma cirurgia de risco do avô e não poder pensar em ligar ainda. A falta de evacuação também causa algumas reflexões como as causas desse problema interno de peso no organismo, por exemplo: Qual alimento foi definitivo para a ocorrência dessa situação e que poderá ser evitado no futuro? Qual exatamente o órgão do meu sistema digestivo faz com que ele não funcione corretamente, se este é o problema?
Expectativas futuras também são sintomas de angústia   . Durante a espera do telefonema sonha-se com a hora em que o telefone tocar e a gente atender...qual será o primeiro comentário, se haverá algum convite para um próximo encontro, qual será o diálogo. Enquanto se espera a hora em que todos esses resíduos inúteis que estão convivendo há um tempo já considerável dentro de nós sejam expelidos, sonha-se com a hora em que eles forem vistos dando thauzinho no vaso – e este será o único diálogo - que será literalmente como tirar um peso das costas, ...não, da barriga.
            É normal também que as duas situações se misturem e interajam entre si. Pode acontecer de um prisão de ventre ser causada também pela angústia da espera pela ligação dele, aí a tensão dobra... Também pode ocorrer de a gente pensar que talvez seja até melhor que ele não ligue ainda. Pois se a gente sair ele pode ver a barriga inchada atípica.
            Bom, enfim, eu podia estar listando ainda, mas fico pensando se um texto longo mais longo contendo prisão de ventre seria interessante...aqui mais um exemplo daquela reflexão comigo que eu citei lá no início do texto... E é isso. Somos gente que espera telefonemas de gente e que tem prisão de ventre também. Gente que sofre de alguma forma nas duas situações e ainda encontra tempo de pensar na confusão disso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17025849-112920474022902022?l=avidasemchapinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://avidasemchapinha.blogspot.com/feeds/112920474022902022/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17025849&amp;postID=112920474022902022' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17025849/posts/default/112920474022902022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17025849/posts/default/112920474022902022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://avidasemchapinha.blogspot.com/2005/10/especulaes-internas.html' title='EspeCUlações Internas'/><author><name>Isa TKM</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_w5in_mdq6Mk/Se-Fbia5ZTI/AAAAAAAAAnw/0dIFUyW-OHM/S220/mariagabriela20072028bg9.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17025849.post-112839098984907958</id><published>2005-10-03T21:38:00.000-04:00</published><updated>2005-10-03T22:15:06.843-04:00</updated><title type='text'>PLACENTAS</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;p&gt;Uma puta! &lt;/p&gt;&lt;p&gt;
Falou assim, sem mais nem menos... Seco e frio, como eu até gostava que ele
falasse: “Comi uma puta, tudo bem por ti?”. Sem choros, lágrimas, nem pedidos de
desculpas. Assim é melhor, pensei. Uma puta! Como se tivesse dito que comeu uma
torrada, ou um McLanche Feliz. Sim, era só uma puta. “Tudo bem...” respondi.
&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;Eu nem gostava dele mesmo, e, pra dizer a verdade, nem ele algum dia pensou em gostar de mim. Era por isso que funcionava. Ele podia me dizer o que dissesse, me bater até, se tivesse vontade. E eu também. Até hoje ele tem aquela cicatriz na testa do dia em que eu lhe bati com o banco da cozinha, graças a um ataque de TPM fulminante. Mas o convívio era perfeito.&lt;/blockquote&gt;
&lt;blockquote&gt;&lt;p&gt;Nos conhecíamos há três anos já. Mas foi quando começamos a trabalhar – ele em uma empresa, eu em outra – que resolvemos ter uma caso. Porque, com o pouco tempo que nos restava, chegava a ser cansativo pensar em conhecer alguém. E o nosso caso era assim, baseado em carências e conveniências. Ah, quem é que não vê que quando se começa a trabalhar as carências triplicam? E, além disso, conveniências são conveniências.
&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p&gt;Tínhamos um acordo mútuo de descontar nossas angústias um no outro. De falar sempre a verdade. De odiarmos um ao outro secretamente, que essa era a melhor forma de sobrevivermos juntos. Isso gerava alguns hematomas, cortes, choros convulsos, mas nos poupava de ciúmes bestas e promessas rasas. E o convívio era perfeito.&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p&gt;Depois de eu ter posto fogo no edredon que o tapava, ele preferiu começar a cozinhar. Depois de eu ter tido intoxicação alimentar, preferi começar a comer fora. Mas a carência nos unia, que é isso que une todos os casais. E o amor é só uma palavra besta que a gente encontra para designar quando a nossa carência tem um foco certo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Amor, amor, amor... Chega a dar nojo imaginar tantas pessoas iludindo a si próprias com essa bobagem de amar alguém. Os pobres coitados são carentes e não admitem. Depois me chamam de doente porque esses dias tive que engessar o braço, quebrado numa briguinha rotineira. Eu pelo menos sei que nosso lance é só carência. E ele sabe também – ou será que só eu sei?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
            É, não é fácil admitir que a gente nasce carente, esperando por um novo útero pra nos abrigar. Uma placenta qualquer que nos dê segurança, sempre querendo voltar àquele lugar aconchegante, de onde nos tiraram sem sequer pedir licença. E os olhos dele, meio rasos, meio verdes, não me passavam mais certeza alguma sobre ele saber ou não de sua condição carente.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
            Será que ele entendia o nosso relacionamento? A nossa convivência pacífica, embora conturbada? Será que ele entendia que nós dois éramos que nem os cachorros vadios que moravam na esquina? Que poderíamos largar um ao outro no momento que fosse propício e não teríamos grandes perdas? Mas quem me perguntou foi ele: “Tu me entende?”&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
            Ãh? Quê? Sobre o que mesmo a gente tava falando antes? Ah, sim, lembrei... Ele tinha falado assim, sem mais nem menos... Seco e frio, como eu até gostava que ele falasse: “Comi uma puta, tudo bem por ti?”. Sem choros, lágrimas, nem pedidos de desculpas. Assim é melhor, pensei. Uma puta! Como se tivesse dito que comeu uma bala, ou um pastel de queijo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
            Era foda explicar que eu entedia, e que sexo era só sexo. E que tudo sempre foi mais simples do que ele achava que era.  Ha! Tudo bem por mim, ótimo até. Era só carência mesmo. Qual a importância de ele comer uma puta aqui e ali se ele me comesse também? Se continuássemos tendo a cumplicidade que tínhamos? Mas minha boca só formulava uma resposta:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
            “E se eu der pro meu chefe? Tudo bem por ti?”&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17025849-112839098984907958?l=avidasemchapinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://avidasemchapinha.blogspot.com/feeds/112839098984907958/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17025849&amp;postID=112839098984907958' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17025849/posts/default/112839098984907958'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17025849/posts/default/112839098984907958'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://avidasemchapinha.blogspot.com/2005/10/placentas.html' title='PLACENTAS'/><author><name>Mari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17384126605540649200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17025849.post-112768839975687931</id><published>2005-09-25T20:03:00.000-04:00</published><updated>2005-09-25T19:03:50.886-04:00</updated><title type='text'>Encontros casuais</title><content type='html'>Eles se viam com freqüência. Foram muitos finais de semana. Festas da faculdade, na principal rua de bares da cidade, lanchonetes. Já era comum, quando passavam um pelo outro se entreolhavam mas logo dispensavam para ouvir a conversa de seus amigos pois nunca estavam sozinhos. E mesmo se estivessem, não teriam coragem de iniciar uma conversa pois eram muito tímidos, com isso permaneciam platônicos.
Era engraçado, depois de se encontrarem, procuravam posições estratégicas para que pudessem um observar o outro. Na lanchonete, por exemplo, sentavam, mesmo que bem distantes, de frente para o outro e ali procuravam intervalos onde um não olhasse na direção do outro e assim conservavam-se parecendo um jogo de ping-pong para quem os visse de longe. Havia vezes em que um se deparava com o olhar do outro mas aí rapidamente procuravam disfarçar e fugindo daquele olhar. E assim também acontecia nas festa e nos bares da cidade.
Os amigos mais íntimos de cada um, já sabiam que aquele ou aquela era o seu amor platônico e quando os viam antes que eles, já os cutucavam e apontavam discretamente para que olhassem onde estava. E já era motivo de piada, pois um bom tempo já passava mas nada havia acontecido, nenhuma iniciativa, nenhuma oi pelo menos, afinal, aquele encontro casual já estava se repetindo tantas vezes seria natural um cumprimento. Mas não preferiam só os olhares e dali não saiam.
O que ela admirava nele era seu estilo. Parecia ter originalidade, não se preocupava em usar aqueles piercings todos, um na língua, outro no queixo e outro ainda na sobrancelha. Poderia ser comum hoje, mas não em 1985. Tinha aquela barba por fazer. O cabelo despenteado. Usava sempre roupas pretas e largas fizesse chuva ou sol. Não vestia moda, tinha sua maneira de se vestir. E estava sempre sério, parecia dizer sempre poucas palavras sobre os assuntos que os amigos o comentavam. E ela achava tudo aquilo lindo e imponente.
Já para ele, o que chama a sua atenção nela era seu jeito angelical. Achava seu sorriso lindo, com covinhas visíveis e quando ria, deitava a cabeça para o lado e permanecia ali por algum tempinho. Ele gostava. Além do jeito romântico – aos olhos dele- de se vestir, sempre usando rosa, pequenos babados nas saias, blusas de renda bordadas. Parecia ser uma menina cuidadosa, delicada e querida.
Mas depois de tanto tempo, houve um dia em que ela saiu com o mesmo grupo de amigos que por sua vez levavam alguns amigos que não conhecia tanto, mas logo se entrosou. Eram músicos, tinham uma banda, e foram, o caminho todo, até chegar na festa, cantando a eles suas músicas próprias. Era um rock pesado, com gritos e palavrões repetido nos refrões. Ela achava aquilo engraçado. Os novos amigos iam se apresentar na festa, faltava apenas encontrar seu novo guitarrista que já devia estar lá.
A festa estava lotada, muita animação, eles foram na frente abrindo caminho e ao mesmo tempo procurando seu companheiro de banda, os amigos dela logo atrás e ela por último. E qual foi sua surpresa? O tal guitarrista era aquele rapaz que ela tanto admirava de longe e agora teria a oportunidade de conhecer, saber o nome ou pelo menos cumprimentar.
E assim foi, primeiro seus amigos, todos o cumprimentaram, e ela pela ordem da chegada veio depois. E o cutuque foi inevitável, todos ali que à acompanhavam sempre agora esperavam fervorosos como seriam as primeiras palavras dos dois que durante tanto tempo só se observavam de longe. E assim, quando chegou o último dos amigos a ser apresentado, veio a vez dela, que ainda não o tinha visto ali, não havia se flagrado que aquele era mesmo o rapaz das outras tantas festas. Ele também surpreso enquanto a olhava na mesma hora, terminando de cumprimentar ficou um tanto nervoso ao vê-la ali na sua frente. Ela, quando o viu sentiu o vermelho tomar conta de seu rosto ao olhar ele aí bem próximo pronto para se apresentar mas imediatamente decidiu que iria encarar de frente aquela situação e abriu um grande sorriso enquanto um dos rapazes dizia: - Esse é o nosso guitarrista, o Marcelo, mais conhecido como Fala Fino. Ela continuou com seu sorriso e disse: - Oi tudo bom, como é que vai? E enquanto terminavam de apresentar falando: - E essa é nossa mais nova amiga, a Bebel. – ele respondia: - Eu estou bem e tu? Tudo bem... – ela disse.
Mas para decepção dela, o cara, fazia jus ai apelido e num simples “Eu estou bem e tu” demonstrou ali toda a agudes característica de sua voz tão avessa ao que para ela ele representava ser. E com isso ele foi condenado à desilusão dela ficou quieta o resto da noite e bem longe do rapaz o qual preferia o perder de vista. E ele, coitado, se encontrava na mesma situação, afinal, a garota possuía o legítimo bafo de leão e cada vez que pronunciava seus rápidos: “Oi tudo bom, como é que vai?” e seu “Tudo bem, fazia aflorar,
no ar, um aroma nada agradável semelhante ao de um boeiro. Isso provocou nele um rápido susto afinal não combinava com a meiguisse que ele tanto admirava nela.
Mas essa era a realidade, e logo depois do cumprimento, nenhum nunca mais viu o outro naquela festa. Conversaram aquelas palavras enquanto sorriam, ele timidamente e ela espontaneamente até concluírem a conversa e se depararem com suas realidades. Assim viraram as costas e sumiram.
Hoje quando se encontram, se cumprimentam bem se longe. Não passa de um curto “oi” e nada mais. Nem mais um olhar. Nem mais um entusiasmo. Viram as costas e não se olham mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17025849-112768839975687931?l=avidasemchapinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://avidasemchapinha.blogspot.com/feeds/112768839975687931/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17025849&amp;postID=112768839975687931' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17025849/posts/default/112768839975687931'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17025849/posts/default/112768839975687931'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://avidasemchapinha.blogspot.com/2005/09/encontros-casuais.html' title='Encontros casuais'/><author><name>Isa TKM</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_w5in_mdq6Mk/Se-Fbia5ZTI/AAAAAAAAAnw/0dIFUyW-OHM/S220/mariagabriela20072028bg9.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17025849.post-112744158715361089</id><published>2005-09-22T23:40:00.000-04:00</published><updated>2005-09-22T22:41:01.116-04:00</updated><title type='text'>Sobre um Não-Amor</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;Após minutos de olhares furtivos, um beijo rápido e uma troca desinteressada de
telefones, acabamos nos encontrando novamente. Eu, na rua, sem saber o que
fazer. Ele, no carro, sem saber o que falar. Abri a porta dianteira e entrei.
“Dá uma carona?”. Estávamos indo pra mesma festa, de qualuqer maneira...
&lt;/blockquote&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;Chegamos. Cerveja liberada. Pessoas bêbadas. Risos altos. Eu? Sóbria. E quieta,
como não lembrava de ter estado alguma vez antes. Ele? Bêbado. E falante como
não me parecera ser da outra vez. Conversamos, então, para quebrar o clima de
quase-desconhecidos que rondava nossas cabeças. Ou nossos corpos inteiros, que
teimavam em encontrar-se de uma forma não intecionada – mas, quem sabe, mal
intencionada?
&lt;/blockquote&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;tab&gt;&lt;blockquote&gt;Com a mesma falta de apetite, beijamo-nos novamente. Talvez por efeito do
álcool, que já disputava lugar com o sangue correndo em nossas veias – e o
álcool em breve estaria na poliposicion. Talvez por falta de bocas melhores para
beijar, ou preguiça de experimentá-las. Conversas novamente amenas – talvez a
cerveja fosse nossa preocupação primordial. Mas, a cerveja acabou.
&lt;/blockquote&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;SIM, O LÍQUIDO SAGRADO ACABOU!

&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;tab&gt;&lt;blockquote&gt;As conversas já não eram as mesmas. Os beijos, porém, após o terceiro já haviam
caído na mesmice. Naquele momento, eu o conhecia há anos. Eu já sabia exatamente
de tudo sobre ele. Ao menos tudo o que eu queria saber – se é que eu queria
saber algo sobre ele...
&lt;/blockquote&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E O TEMPO PAROU.

&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;tab&gt;&lt;blockquote&gt;Não parou como nos filmes, em que o tempo pára e os diálogos desaparecem para
que uma música romântica comece a tocar ao fundo. Bem pelo contrário! O tempo
parou, sim. Parou enquanto ele falava com paixão das coisas que amava. Ele tinha
uma paixão nos olhos, nas palavras, falava com tanto entusiasmo das coisas que
fazia que, de repente, eu me desliguei do mundo. Afinal, não tinha porque eu
ficar ouvindo o quanto a vida dele parecia agradável. A minha, nunca se
compararia. Ao menos não havia paixão nenhuma nos movimentos mecânicos que eu
executava dia após dia, pegando ônibus, indo pra faculdade, depois trabalho,
malhar, comer, e a cerveja no fim do dia como úncia ilusão de alegria.
&lt;/blockquote&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;tab&gt;&lt;blockquote&gt;Foi então que percebi que estávamos em níveis diferentes. Ele, lindo, dentição
impecável, roupa meticulosamente combinada, olhos apaixonantes, traços
perfeitamente indefiníveis. Era só isso que eu via nele. Era só isso que eu
conseguia ver. Talvez ele fosse muito mais do que isso, talvez não. Não faria
diferença. Eu não conseguia ver através, não conseguia sequer pensar que existia
mais do que aquela embalagem linda a encobrir uma personalidade que não me
interessava descobrir qual era. E em seu monólogo de vida alegre, captei um
“né?”, que, provavelmente dirigia-se a mim.
&lt;/blockquote&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“NÉ?” O QUÊ? Pensei.

&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;tab&gt;&lt;blockquote&gt;Eu sequer escutara os últimos cinco minutos de diálogo. Apenas o olhava, como se
contemplasse um deus. Não estava interessada nas palavras, enquanto era isso que
parecia interessar-lhe. “É”, respodi sem interesse. E vi que o que ele via em
mim não era eu simpelsmente. O que ele estava vendo era a pessoa que eu era e
não o invólucro que me cobria. Ele via em mim exatamente o que eu me negava a
ver nele. E talvez o que eu nem quisesse que lhe despertasse interesse algum. Eu
não queria lhe despertar interesse algum...
&lt;/blockquote&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;tab&gt;&lt;blockquote&gt;Não queria tocá-lo, nem falar com ele. Nâo queria estar perto, longe, ou em
qualquer lugar em relação a ele. Não queria ele na minha vida, nem fora dela. Só
queria aquela imagem bonita na memória. A imagem daquele rosto indefectível a me
olhar com olhos penetrantes, como se eu fosse alguém pra ele. Como se eu tivesse
alguma importância naquele dia frio, naquela sacada gélida, sob os pingos de
chuva que molhavam a ponta de seu nariz bem delineado. Como se eu fosse mais
importante que aquela que deixara o chupão que eu via agora em seu pescoço,
algum dia antes, ou talvez no mesmo dia até.

&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;NOVO “NÉ?”.

&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;tab&gt;&lt;blockquote&gt;Ele segurava agora um copo de cachaça, já que a cerveja tinha acabado. Tirei o
copo de suas mãos e levei-lhe à boca, para ganhar um tempo antes de responder o
“né?” que eu mal sabia ao que se referia. Olhei-o da forma que eu tinha medo de
olhar, da forma que eu tinha medo, inclusive, de ser olhada. Olhei-o com olhos
de verdade.
&lt;/blockquote&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;tab&gt;&lt;blockquote&gt;Olhando-o disse tudo que não conseguia dizer com as palavras. Disse-lhe o quanto
eu era rasa, e como o via da mesma forma. Com palavras, disse-lhe o que ele
queria. “É”. Um beijo na bochecha e saí. Na memória, nenhuma de suas palavras,
nada de sua vida, nem seu nome eu guardaria. Mas, como uma velha fotografia que
de tempos em tempos a gente comtepla, sua imagem ficaria gravada em meu baú de
lembranças. Ele, perplexo, me olhava passar pelas portas de vidro, sem vontade
de olhar pra trás, de dizer alguma palavra de despedida. Sem vontade de dizer
nada.
&lt;/blockquote&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;tab&gt;&lt;blockquote&gt;E, sem que ele sequer percebesse, o copo de cachaça ficara comigo. &lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17025849-112744158715361089?l=avidasemchapinha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://avidasemchapinha.blogspot.com/feeds/112744158715361089/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17025849&amp;postID=112744158715361089' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17025849/posts/default/112744158715361089'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17025849/posts/default/112744158715361089'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://avidasemchapinha.blogspot.com/2005/09/sobre-um-no-amor.html' title='Sobre um Não-Amor'/><author><name>Mari</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17384126605540649200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
